Professor Tupãense Cleber Carrasco vive momento especial na moda: “Durante aula sobre projeto de vida, lembrei do meu talento”

Ele criou uma coleção especial para mulheres com mastectomia, inspirado em sua mãe, que após o procedimento cirúrgico encontrou dificuldade em comprar roupas confeccionadas em escala industrial

Se você ainda não se deparou nas redes sociais com um dos modelos criados pelo Designer de Moda – Cleber Carrasco, você está perdendo a oportunidade de conhecer esse Tupãense que tem brilhado cada vez mais em uma área pouco explorada pelo interior brasileiro: “a Moda sob medida, pensada para o corpo real”.

Entre os trabalhos em destaque do profissional, a elaboração de um projeto desenvolvido para mulheres que sofreram mastectomia (retirada da mama), após serem diagnosticadas com câncer, ainda durante a sua graduação, sendo inclusive tema do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) onde o então aluno foi aprovado com louvor.

A iniciativa é resultado da sua empatia com as mulheres que vivenciam os desafios da doença que gera impactos em suas vidas, por vezes, já fragilizadas desde o diagnóstico.

Cleber relata que tudo começou observando sua mãe que foi vítima do câncer de mama e da retirada dos seios.

“Observando roupas produzidas em escala industrial pude perceber o caimento delas em seu corpo. A consequência da mastectomia varia de mulher para mulher, pode ser unilateral que é a retirada de uma das mamas, bilateral quando são as duas, e também pode ocorrer a retirada do quadrante, chamada de quadrantectomia. Por isso a necessidade de um olhar especial e personalizado para cada caso”, destaca.

Agora com a nova graduação ele enfatiza que essa circunstância deu o título de designer a ele: “eu vi um problema e criei a solução. De acordo com minha professora foi um trabalho bem gostoso de fazer”.

Modelagem que fortalece, sob medida

Uma roupa que veste bem está ligada a autoestima.

Para a confecção dos belos modelos, um estudo de modelagem foi realizado, onde a peça não poderia ser padronizada pois cada mulher tem sua característica, desse modo, a criação foi baseada na moulage, que é a modelagem feita direto no corpo.

“Eu tive que adaptar um manequim, pois precisava ser real desde o início”, explica.

A inspiração foi sua mãe (mãe sendo mãe) onde ele via de perto a dificuldade na hora de suas compras.

A empatia foi sua conclusão de curso

A coleção de Cleber Carrasco foi estilizada tendo como suporte cinco mulheres que participaram ativamente do projeto.

O professor relata que no início encontrou dificuldade para concluir sua pesquisa: “Foi difícil encontrar mulheres dispostas a serem modelos, já que muitas enfrentam a fragilidade em lidar com seus corpos, sendo reféns dos padrões ditados pela sociedade, seja no corpo físico, vestimentas, e também na autoaceitação desse doloroso processo físico e psicológico”.

Sala de Aula

“Em uma escola, no ano de 2015, eu falando sobre projeto de vida e sonhos, com os meus alunos, era como se uma voz falasse aos meus ouvidos: e o seu sonho? Lembrei que ele havia sido enterrado e foi ali que tive um insight e pensei que estava na hora de acordar para o meu talento”, expressa o brilhante Tupãense ao relatar sua história.

Biografia

Cleber Ferreira Carrasco, 44 anos, tupãense, filho de Silas Carrasco Navarro, Policial Militar e Cleusa Gomes Ferreira Carrasco, formado em Educação Artística em 1998 e Bacharel em Moda formado em 2020, ambas formações concluídas na cidade de Marília.

A paixão pela moda vem desde seus primeiros anos. Cleber sempre acompanhava sua mãe que costurava por amor e gostava de se atualizar por meio de revistas de alta costura da época, como Vogue, Moda Moldes e Manequim.

Ele conta que o que mais chamava sua atenção era os nomes dos estilistas que ali estavam com suas criações: Gloria Coelho, Ocimar Versolato, Ornela Ventura e Clodovil, artistas que vestiam as maiores celebridades da época, como Hebe Camargo.

Pouco popularizada na época, a faculdade de Moda era de difícil acesso principalmente para moradores do interior, longe dos grandes centros cosmopolitam: “Fazer faculdade de moda na década de 90 era complicado, porque além de ser algo que precisava de paixão, era um status de difícil alcance”.

Carrasco relembra que enfrentou também dificuldades durante o início do seu sonho, pois era filho de militar e o pai desejava que ele cursasse Direito, um curso que viabilizaria um leque de oportunidades, segundo o pai.

Terceiro filho do casal Silas e Cleusa, já tinha sua opinião formada e desde o desabrochar dos seus planos o objetivo era estudar algo que fosse relacionado com a arte e cultura.

“Eu e apenas mais duas amigas fizemos o teste vocacional quando cursávamos o 1º ano do Ensino Médio e a profissão que deu em primeiro lugar foi áreas relacionadas a arte, então muito cedo o caminho estava traçado”.

Sua carreira na docência começou em 8 de fevereiro de 1999, em Barueri grande São Paulo, passou por Itapevi e Carapicuíba retornando para Tupã em 2016 na Escola Sebastião Teixeira Pinto.

Em meados de 2012 participou de um projeto em sua escola de atuação sobre reciclagem onde confeccionou uma saia em folha de papel.

Desde que assumiu o seu talento, o Professor Cleber Carrasco se aventura e se apaixona cada vez mais pelo universo da moda, um universo, que sem dúvidas, é a sua cara.

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