Estado de Calamidade Cultural


Por Robinson Ricci

Há um ditado que diz: “A formiga sabe o peso da folha que carrega”. Não é pouco o peso que os fazedores de cultura de todo o Brasil carregam em suas costas, seja porque não lhes damos o devido valor, seja, algumas vezes, por eles mesmos não se valorizarem e não lutarem por seus direitos. Logo eles, trabalhadores e trabalhadoras da área cultural que se distribuem em um sem número de atividades artísticas, gastronômicas, esportivas e outras que promovem as tradições de nosso povo ao mesmo tempo em que provocam o pensar, o senso crítico do cidadão e da cidadã brasileiros com um olhar para o futuro. Um trabalho de formiguinha que, ao longo dos séculos, desenha os contornos da identidade nacional.

Neste ano, é ainda pior. A pandemia do SARs-Covid-19, como todos sabem, afetou a vida das pessoas em todo o mundo, sem distinção de nacionalidade, localidade, gênero, faixa etária, ideologia, área de atuação profissional. Mas, segundo a revista Exame, no Brasil o setor cultural foi e continua um dos mais afetados pela pandemia, com perda de receita entre 50% e 100%. São dados do estudo “Percepção dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil”.

Evidentemente, nem há o que discutir, a precariedade do setor artístico-cultural brasileiro não deixa de ser resultado também das políticas públicas atuais, com destaque para o desmonte do Ministério da Cultura para subjugar o setor a uma secretaria especial subordinada ao ministério do Turismo. Então, era hora de reagir.

No âmbito federal, a deputada Benedita da Silva propôs projeto de lei de apoio ao setor cultural posteriormente transformado na lei 14017/2020, conhecida como Aldir Blanc, destinando R$ 3 bilhões a trabalhadores e espaços culturais das mais diversas áreas em todo o país. Este projeto demandou um trabalho hercúleo dos artistas, mas caminhou principalmente pela forte atuação da deputada Jandira Feghalli.

Em Tupã, ao mesmo tempo, o prefeito Caio Aoqui assinou edital de apoio ao setor cultural, a partir do Fundo Municipal de Cultura, como resultado de anos de trabalho árduo de trabalhadores e representantes do setor cultural local, com destaque para Luis Carlos Sanches, Charles dos Passos, Fábio Dias e tantos outros. Porém, no que se refere ao alcance da lei Aldir Blanc no município, foi a atuação de um grupo de abnegados, liderados por Renato Gonzales Rosa, que se reuniu para estudar os detalhes sem fim da lei, participar de cursos de formação e discutir adequações à realidade tupãense para que todos os artistas da cidade tenham chance de ser contemplados pelo auxílio emergencial ainda neste ano, desde que demonstrem interesse. Por este empenho todo, desde o dia 10 de setembro o valor destinado a Tupã já está em caixa para ser destinado a quem faz arte aqui, seja no teatro, na música, na dança, no artesanato e tudo mais!

Este trabalho, ainda em andamento e tão urgente, em diálogo com o Conselho Municipal de Cultura, oferece suporte à secretaria municipal de Cultura para que a arte tupãense, em toda sua diversidade, sobreviva e saia desse estado calamitoso mais forte, significativa e transformadora.

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