Asilo se reinventa e cria sala para idosos matarem saudade de parentes através do vidro

Toques entre idoso e visitante são feitos através de um vidro temperado: prevenção ao contágio pelo coronavírus — Foto: TV TEM/Reprodução

Com as visitas suspensas há sete meses desde o início da pandemia, instituição montou sala com janela de vidro para idosos poderem ver e conversar com parentes

A Casa dos Velhos de Tupã (SP) que atende cerca de 80 idosos precisou se reinventar para que seus abrigados pudessem matar a saudade e rever parentes e amigos de quem estão isolados há cerca de sete meses.

Para evitar a contaminação pelo novo coronavírus, o asilo suspendeu as visitas na entidade desde o início da pandemia. Mas, a instituição explicou que, com a restrição do contato, muitos dos idosos passaram a se sentir abandonados, desenvolvendo quadros depressivos, próprios do isolamento.

Para driblar a situação preocupante, o asilo precisou se reinventar e adotou duas alternativas de visitas, uma virtual e outra “presencial”.

Na forma virtual, as visitas são feitas através de chamadas de vídeo através de aparelho celular ou notebook, com a imagem dos familiares e amigos sendo projetada em uma tevê de 43 polegadas.

Mas foi na solução “presencial” que o asilo encontrou uma forma criativa para seus idosos voltarem a sorrir. A instituição filantrópica montou uma sala na qual em sua parede que dá para a rua foi instalada uma grande janela de vidro temperado.

Os idosos são colocados em uma poltrona em frente à janela, com os familiares e amigos se posicionando do lado externo da instituição, na calçada.

Vera Lúcia Gorzoni durante visita ao irmão que não via há cerca de sete meses: emoção — Foto: TV TEM/Reprodução

Através de um interfone sem fio, os dois lados dessa história de isolamento podem conversar e matar a saudade no sistema ”viva-voz”.

“É uma emoção muito grande. Fiquei muito emocionada e ao mesmo tempo feliz por saber que ele [meu irmão] está bem. É um momento de renovar as esperanças”, disse a professora Vera Lúcia Gorzoni.

A confeiteira Fátima Gomes Sevilha gostou tanto das visitas através do vidro que abandonou as conversas virtuais pelo celular que mantinha semanalmente com a madrasta de 74 anos que vive no asilo e passou a frequentar a calçada em frente à janela.

“Toda a semana a gente se falava por telefone, mas agora com esse novo modelo de visitas focou bem melhor, ela [a madrasta] fica muito feliz e melhora a sua autoestima. Mesmo não havendo o contato físico, a gente sente a alegria do poder matar a saudade”, explica a confeiteira.

Fátima Gomes Sevilha durante visita à madrasta D. Aparecida: “Alegria, mesmo sem o contato físico” — Foto: TV TEM/Reprodução

E os benefícios para abrigados e familiares vão além das aparências e dos sorrisos através do vidro. A psicóloga Cinthia Cláudia Mendes, que trabalha no asilo, atesta que os encontros têm melhorado o estado de saúde dos idosos.

“A sensação é de receber afeto, de a família estar presente, acabou a sensação de abandono e os idosos passaram a ficar mais felizes, eles estavam tristes e adoecendo, com o emocional afetado. Pra gente que trabalha aqui, tudo isso é muito gratificante”, disse a psicóloga.

Para proteger seus abrigados, a instituição tem realizado os exames preventivos com todos os abrigados e nos funcionários, que são afastados quando há suspeita de infecção ou quando tenham tido contato com alguém próximo com a Covid-19.

Fonte: G1

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