Professor Leandro Munhoz conta sua história de superação

*Biografia em primeira pessoa escrita por Leandro Munhoz

Nasci no dia 19 de abril de 1982, na maternidade do Hospital São Francisco de Assis, na cidade de Tupã, sou formado no curso de Letras: Língua Portuguesa e Língua Inglesa, Coach e Gestão Pública Empreendedora.

Aos treze anos, participei de um grupo de jovens, no centro da cidade, próximo a minha residência, nos finais de semana íamos para a frente dos supermercados pedir alimentos. Na Copalta, com mais três membros do grupo, uma vez por mês, arrecadar mantimentos para fazer um sopão e cestas básicas aos menos favorecidos.

Já com quinze anos fui convidado por amigos que eram membros do Interact Club de Tupã, entrei como visitante, ao ser aceito, com direito a trote com muita ovada e farinha, para finalizar uma voltinha em cima de uma caminhonete, uma D20 branca, onde pagamos o mico de percorrer a avenida Tamoios e o famoso fim da linha, no final um banho de mangueira. Fazíamos visitas ao asilo Casa dos Velhos, festival de pipas no campo da Cecap, final do ano, levávamos crianças num ônibus, cedido pela prefeitura cheio de crianças para assistir um filme no antigo cinema no Hotel Cazuza, com direito a um X-salada e um refrigerante de lata. Aos dezessete anos, virei o tesoureiro do Interact, onde fiquei até os dezoito anos.

Com o termino do colegial, prestei o vestibular para Direito, mas, devido a um problema de saúde do meu pai, que abalou toda a família, ele teria que passar por uma cirurgia, naquele momento deixei a faculdade de lado. Passado o turbilhão, comecei o curso superior na Fadap/Fap, primeira turma do curso de Letras, Língua Portuguesa e Língua Inglesa, no final do segundo semestre, acabei largando o curso e fui morar no litoral paulista, praia de São Vicente. Estava do jeito que queria, praia e praia, novamente por motivo de saúde, meu pai estava internado há alguns dias na UTI, precisei voltar. Chegando em Tupã, deixei minhas malas e fui para o hospital, chegando me pediram para esperar, pois meu pai estava indo para um quarto, ao entrar no quarto a primeira coisa que ouvi do meu pai foi para voltar e terminar a faculdade, não tinha como não voltar para Tupã.

 Foi ótimo ter voltado, assim terminei minha faculdade de Letras. Após formado, ministrei aulas em escolas estaduais, aqui em Tupã e cidades vizinhas, foram os melhores anos que tive como professor. Em sala de aula, sempre cobrei dos alunos disciplina, aprendizado, conhecimento, interesse nos estudos, infelizmente alguns não queriam, com isso o professor virou psicólogo, amigo, conselheiro, tio, tudo para fazer os alunos se interessar em aprender, mas nunca deixei de ser o professor Leandro. Sempre disse para a sala, que a vida de adulto é dura para quem leva na brincadeira. Fui chamado de chato, carrasco, legal, bonzinho, entre outros adjetivos. Sempre cobrei ética, disciplina e conhecimento no estudo, isso ninguém pode tirar da pessoa.

Infelizmente, no ano de 2017, com muita dor nas pernas, perdendo a força motora das pernas, foi gradativamente perdendo os movimentos. Em 2018, ainda nas férias escolares meu problema de saúde se agravou, me deixando na cama, sem poder andar e me levou para a UTI, deixando por 13 dias em coma, no mês de fevereiro. Acordar em um quarto, saber que não andaria mais, foi um baque. Porém, estar vivo, ter uma nova chance de vida, aprender a me virar na cadeira de rodas, não foi fácil, o pior é o olhar negro das pessoas, ao olhar um cadeirante como se fosse um mostro do outro mundo, isso fez meu mundo cair.

Hoje, afastado das salas de aula, devido a uma doença que me tirou as forças nas pernas, ainda aprendendo a nova vida, busquei forças numa associação dos deficientes de Tupã, onde podemos lutar pela dignidade da pessoa com deficiência.  Lutamos para que os especiais, as pessoas com deficiência sejam respeitadas, que possam entrar em qualquer lugar da cidade e ser respeitados. Na associação dos deficientes, fui eleito secretário de comunicação. Representando o interesse dos deficientes no COMUS-Conselho Municipal da Estância Turística de Tupã, onde fui eleito Secretário Executivo, para melhor atender aos interesses da cidade, comunidade e portadores de necessidades. Faço parte de um movimento que preserva a natureza, onde a meta é a defesa do meio ambiente. Hoje, numa cadeira de rodas, percebi a dificuldade de um cadeirante se locomover, tolhendo nosso direito de ir e vir. Deus me dá força para lutar pela dignidade dos deficientes, idosos. Enfim, lutar por todos que tenham necessidade de acessibilidade, em todos os lugares da cidade. Tupã é a melhor cidade do interior para se morar, virou estancia turística, infelizmente peca na acessibilidade. Cansado de ver cidades ao redor, em desenvolvimento, enquanto Tupã congelou no tempo. Juntos faremos a diferença, por uma cidade melhor, uma Tupã mais ética.

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