Anvisa alerta aumento de intoxicação por produtos de limpeza; veja cuidados

A fim de reduzir os riscos à saúde causados pelo aumento da exposição tóxica por produtos de limpeza no país, a Anvisa divulgou a Nota Técnica (NT) 11/2020.

O documento alerta sobre o crescimento dos casos de intoxicação e orienta a população sobre o uso e o armazenamento adequados dos chamados saneantes domissanitários, termo que designa os saneantes de uso domiciliar que contêm substâncias ou preparações destinadas à higienização e à desinfecção.

O texto foi elaborado com base nos dados dos CIATox (Centros de Informação e Assistência Toxicológica).

Embora não haja informações que demonstrem o vínculo definitivo entre a exposição e os esforços de higienização e desinfecção para evitar a disseminação da Covid-19, parece haver uma associação temporal com o aumento do uso dos produtos.

Para se ter uma ideia do crescimento dos casos de intoxicação, de janeiro a abril deste ano os CIATox receberam 1.540 registros de intoxicação devido a produtos de limpeza envolvendo adultos, um aumento equivalente a 23,3%, comparado ao mesmo período de 2019, e de 33,68%, com relação a 2018.

No que se refere às crianças, foram registrados 1.940 casos, um aumento de 6,01% e de 2,7%, em relação a 2019 e 2018, respectivamente.

Os números mostram que os acidentes domésticos envolvendo exposição tóxica a substâncias químicas são mais frequentes com o público infantil e, portanto, há necessidade de dispensar mais cuidados às crianças.

Orientações básicas

Aplique as seguintes regras para não se expor desnecessariamente:

  • Mantenha os produtos de limpeza fora do alcance de crianças e animais. Esses produtos podem atrair a atenção principalmente de crianças pequenas, entre 1 e 5 anos de idade;
  • Evite o armazenamento desses produtos em recipientes diferentes e não etiquetados;
  • Supervisione as crianças, não permitindo que elas acessem os ambientes onde esses produtos são guardados;
  • Não deixe detergentes e produtos de limpeza em geral embaixo da pia ou no chão dos banheiros;
  • Leia e siga as instruções descritas no rótulo de cada produto;
  • Evite a mistura de produtos químicos;
  • Garanta a ventilação quando for manusear um desses produtos destinados à limpeza, higienização e desinfecção;
  • Inutilize as embalagens vazias. Isso porque elas sempre ficam com resíduos, ou seja, restos dos produtos. Jogue fora as embalagens vazias, preferencialmente valendo-se do sistema de coleta seletiva, de modo a separá-las do lixo orgânico;
  • Em caso de emergências toxicológicas, não provoque vômito. Tenha em mãos o número do Centro de Informação e Assistência Toxicológica, o CIATox: 0800-722-6001.

Não exagere! Misturar água sanitária com sabão ou outro produto é perigoso

“Vocês estão esterilizando TUDO que chega na casa de vocês? Alimentos, embalagens, chão, mão, sacolas… Não está fácil essa rotina de limpeza e desinfecção que virou nossos dias na quarentena. Mas, calma: o cuidado é importante, o excesso dele é perigoso.

Água com sabão e álcool ajudam muito na prevenção ao coronavírus, mas a água sanitária resolve melhor na hora da limpeza pesada ou da higienização de alimentos.

Só que, por se tratar de uma substância muito poderosa, ela deve ser administrada com mais cuidado e não pode ser misturada com outra coisa, senão água.

Se você quer redobrar os cuidados para evitar a contaminação, não tente misturar água sanitária com outros produtos, porque isso pode fazer com que a substância libere vapores tóxicos.

Um exemplo é a cloramina —resultado que pode vir da mistura do hipoclorito de sódio com a amônia (NH3) presente em alguns produtos de limpeza ou, ainda, outros compostos que tenham nitrogênio.

O que a água sanitária faz?

Ela é a diluição de um sal (NaClO, hipoclorito de sódio) em água —ou seja, apesar de ser chamada de cloro, é, na verdade, hipoclorito, um derivado do cloro. “Mesmo sendo uma solução diluída, a água sanitária, como é vendida ao consumidor, ainda é muito agressiva e não deve ser usada pura”, diz Antonio Florencio, doutor em química pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

O que fazer, então? Colocar mais água. Ao contrário do que muitos pensam, ao fazer isso você não está “enfraquecendo” a substância, mas mudando algumas características dela. Diluído em água, o hipoclorito de sódio passa por hidrólise e assim surge o ácido hipocloroso (HClO), uma substância antisséptica e um poderoso oxidante.

Em contato com as estruturas dos micro-organismos, o alto fator pH da água sanitária afeta o funcionamento das proteínas e enzimas que eles usam para sobreviver.

O que o sabão faz?

Sabão, sabonetes e detergentes possuem duas funções. A primeira é a de emulsificante, ou seja, eles ajudam a unir moléculas de água e gorduras, que normalmente não ficariam unidas. A segunda é a de remoção mecânica, que faz a sujeira e os micro-organismos saírem das mãos, por exemplo, junto com a água.

As moléculas de sabão têm duas “pontas”: uma hidrofílica, capaz de se prender às moléculas de água, e outra hidrofóbica, que se une às moléculas de óleos, gorduras e sujeiras. A função emulsificante faz com que o sabão grude na proteção do coronavírus, feita de gordura, rompendo-a. Quando você enxágua, essas pontes de moléculas de água e de restos de vírus e sujeiras são carregadas ralo abaixo.

“No caso do coronavírus ou de outros vírus, como o da gripe, há uma capa de gordura chamada envelope, cuja função é proteger o micro-organismo do ambiente. Essa capa é dissolvida por álcool ou detergente. Uma vez que isso ocorre, o vírus fica totalmente inativo, não consegue mais infectar ninguém”, explica Laura de Freitas, doutora em Biociências e Biotecnologia na Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Há vírus que não contam com esse envelope de gordura, mas eles ainda são eliminados pelo sabão. “Mas por um outro mecanismo, que é a interação com as proteínas que compõem esses micro-organismos”, diz a especialista.

A ação do sabão sobre os vírus costuma ser imediata, mas a eficiência depende da concentração de germes em locais como as mãos. Para garantir a limpeza em toda a área, recomenda-se lavar as mãos de maneira lenta e atenciosa.

O que o álcool faz?

O álcool também dissolve os lipídios (gordura) que envolvem vírus e bactérias e também mexe com as proteínas dos germes, gerando um efeito parecido ao de uma coagulação. A diferença é que, normalmente, a gente não enxágua após o uso, então não há a remoção mecânica da sujeira.

Mas é importante saber que nem todo álcool é eficiente. “O etanol [que todo mundo compra no supermercado para usar no dia a dia] é eficiente, mas apenas se usado em concentrações entre 60% e 80%”, explica a especialista.

“No caso do álcool com concentração próxima aos 70% [a do álcool gel], o vírus leva entre 30 segundos e um minuto para ser inutilizado. No caso da limpeza das mãos, é o tempo suficiente para passar o produto e esperar evaporar”.

Para saber a concentração do álcool, olhe a embalagem. A informação geralmente está escrita assim: 46º INPM. A sigla se refere a Instituto Nacional de Pesos e Medidas e o número diz a proporção da mistura entre água e álcool no produto (46% de massa de álcool puro e 54% de massa de água).

Encontrar álcool líquido com concentração entre 60% e 80% à venda não é uma tarefa muito simples —especialmente durante a pandemia.

Não tente mudar a concentração do álcool etanol ou de qualquer outro tipo de álcool sozinho, isso pode deixar a substância ineficiente ou causar danos à saúde.

Neste caso, a recomendação é usar sabão, que é a forma mais eficaz e barata de combater o vírus.

Para evitar problemas, conheça estas misturas dos produtos de limpeza que você nunca deve fazer

Água sanitária + Desinfetante

Esses dois produtos são bastante utilizados e oferecem bons resultados quando são empregados sozinhos na limpeza da casa, mas a sua mistura é perigosa.

A água sanitária tem como ingrediente ativo o hipoclorito de sódio, que apresenta propriedades germicidas e pode ser usado como alvejante de roupas. Os desinfetantes, por sua vez, são ricos em amônia.

Assim, quando esses dois produtos são misturados, ocorre a formação de cloroaminas, substâncias que, se inaladas, podem causar problemas de saúde que vão desde alergias até intoxicações e queimaduras.

Água sanitária + Detergente

Assim como os desinfetantes, os detergentes também podem conter aminas. Assim, a mistura desse produto com a água sanitária leva à formação das cloroaminas, que causam prejudicam as vias respiratórias.

Vale destacar que essa mistura pode ocorrer involuntariamente quando limpamos a pia logo depois de lavar a louça sem enxaguar os resquícios de detergente que ficaram na cuba. Portanto, sempre elimine todo o detergente da pia antes de aplicar água sanitária.

Água sanitária + Vinagre

O vinagre parece um tempero inocente que deixa as saladas muito gostosas, além de ser um poderoso agente de limpeza. Essas propriedades são verdadeiras, mas o vinagre também pode representar um perigo se for misturado à água sanitária.

Quando combinados, esses dois produtos formam o gás cloro (Cl2), um vapor amarelo-esverdeado que, mesmo em pequenas quantidades, pode provocar acessos de tosse por irritar as vias respiratórias, problemas de respiração e ardência nos olhos.

Vinagre + Água oxigenada

A mistura do vinagre com a água oxigenada leva à formação do ácido peracético, que em alta concentração pode causar irritações na pele, nos olhos e no sistema respiratório.

O ácido peracético pode ser encontrado em lojas de produtos químicos, mas a tampa da embalagem precisa ser equipada com uma válvula especial que permita a saída do oxigênio que se forma dentro da embalagem.

Isso significa que, se você fizer a mistura de vinagre com água oxigenada em casa e guardá-la dentro de um recipiente comum, hermeticamente fechado, a liberação de oxigênio poderá aumentar a pressão interna e acabar rompendo o frasco.

Bicarbonato de sódio + Vinagre

Se você participou de alguma feira de ciências na escola, você deve se lembrar daquele vulcão que entrava em erupção quando se misturavam bicarbonato de sódio e vinagre.

Nessas condições, em que a espuma e o dióxido de carbono formado têm por onde escapar, a mistura desses dois produtos não é perigosa, mas ela pode até causar uma explosão se for feita em um recipiente fechado.

Além disso, como o bicarbonato de sódio é uma substância básica e o vinagre é uma substância ácida, a mistura dos dois resulta em água e um sal chamado acetato de sódio, ou seja, você perde as propriedades de limpeza que esses produtos tinham antes.

Para a sua segurança, nunca misture produtos de limpeza, nem mesmo produtos da mesma espécie, mas que sejam de marcas diferentes. Vale a pena lembrar que você deve manter todos esses produtos fora do alcance de crianças e animais e que as embalagens nunca devem ser reutilizadas.

Água sanitária + álcool isopropílico

Muito utilizado na limpeza de eletrônicos como computadores, monitores, aparelhos de som e TVs e na limpeza de peças de hardware, o álcool isopropílico tem uma concentração baixíssima de água.

Cerca de 99,95% de sua fórmula consiste em álcool e apenas 0,05% em água.

O álcool isopropílico evapora com muita rapidez e tem grande poder desinfetante e antisséptico, porém, é bastante inflamável e jamais deve ser misturado com a água sanitária.

Essa combinação pode resultar em gases tóxicos.

Dependendo da concentração utilizada, os dois produtos de limpeza agindo juntos podem provocar até desmaios.

Água sanitária + álcool etílico

O álcool etílico também é conhecido como clorofórmio ou triclorometano. Provavelmente você já viu algum filme ou novela onde um sequestrador entorpece a vítima com um paninho úmido e ela desmaia.

Essa é a substância utilizada no paninho, mas em alta concentração.

Misturar álcool etílico com água sanitária não necessariamente fará você desmaiar, mas pode provocar muita irritação e ser altamente tóxico dependendo da concentração.

Fonte: UOL

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