Facas artesanais

Sou aficionado por facas desde a minha infância quando assistia o filme do Rambo em que ele portava uma faca de sobrevivência com vários dentes na parte de trás da lâmina.

As facas têm muitas utilidades como caça, pesca, uso policial e tático, cozinha, churrasco, defesa, colecionismo entre outros.

Elas se dividem em dois grupos quanto ao modo de fabricação: industriais e artesanais.

As facas industriais são fabricadas em larga escala por fábricas como Tramontina e Mundial. São excelentes facas, mas nem se comparam às facas de fabricação artesanal, pois essas são fabricadas por cuteleiros, feitas uma a uma e cada uma com o seu charme e modo de preparo.

Inúmeros são os materiais utilizados em sua fabricação: aço damasco, disco de arado, madeiras nobres, chifres de animais, osso, cobre, bronze, pedras preciosas e ouro.

Daí vêm os altos preços, pois essas facas, levam muito tempo para serem feitas, exigem muito conhecimento por parte de quem as fabrica e são peças únicas, porque uma faca artesanal dificilmente será igual a outra.

Você pode notar logo de cara a exclusividade de uma faca artesanal ao olhar para sua lâmina, para o cabo, para o design usado em sua fabricação, isso sem falar no corte.

Sim, o corte diz muito em relação à faca pois uma faca serve principalmente para duas coisas: perfurar e cortar.

Todas as facas que possuem ponta afiada podem perfurar, mas o corte depende do modo de fabricação e do material utilizado.

Aprendi uma coisa interessante quantos às facas: quando são fortes e robustas, aquelas pau para toda obra, geralmente não são boas de corte. Já as facas com lâminas mais frágeis e com aço mais delicados são as mais afiadas, ou seja, ou a faca é robusta ou boa de corte.

Segundo o cuteleiro Tupãense Ricardo Antoniazzi, que fabrica facas há 3 anos, a confecção de uma faca se inicia pela escolha do aço a ser utilizado: aço carbono (mais suscetível à ferrugem), ou aço inox (que é menos suscetível à oxidação, porém muito mais difícil de manusear), ou ainda os dois.

Isso mesmo, a mistura dos dois tipos de aço que resulta no aço damasco, cujo método exige extrema perícia por parte do cuteleiro, pois a mistura dos aços inox e carbono é bastante complexa e trabalhosa, exigindo horas de forjamento à altíssimas temperaturas e extenuante trabalho de prensa.

Escolhido o tipo de aço, passa-se à escolha do material virgem, ou seja, aquele que nunca foi utilizado, ou reciclado como discos de arado, feche de molas de veículos, pinos de dormente de ferrovia, serra de disco dentre outros.

Ricardo Antoniazzi explicou ainda que cada tipo de aço possui vários subtipos, como o aço carbono 1070, 1095, 5160.

O mesmo também acontece com o aço inox, que possui inúmeras especificações, e ao final do trabalho dão a cada faca uma característica própria, como maior ou menor dureza, maior ou menor flexibilidade, maior ou menor retenção de fio.

O cuteleiro explicou ainda que existem duas maneiras de se fazer a lâmina da faca: o forjamento e o desbaste.

No forjamento, o aço é aquecido a altíssimas temperaturas, algo em torno de 1000° graus e com a ajuda de uma marreta sobre uma bigorna, o cuteleiro vai moldando o aço até que adquira um formato semelhante a uma lâmina, e depois termina o trabalho na lixadeira, dando o formato final da faca que está em produção.

Neste processo são utilizados vários tipos de ferramentas como limas, rodas de desbaste e outras.

No método de desbaste o cuteleiro já com uma lâmina reta, passa diretamente ao desbaste da lâmina na lixadeira.

Embora o desbaste seja mais simples que o forjamento, e dá menos trabalho, também exige experiência por parte do cuteleiro, pois um mínimo descuido pode danificar a peça de modo imperceptível, fazendo com que o resultado pretendido seja maculado e a faca fique em desconformidade com o projeto inicial.

Numa próxima oportunidade Ricardo Antoniazzi dará dicas de como afiar suas facas.

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Sobre o autor

Marcio Jorge

Marcio Jorge

Marcio Jorge é formado em Direito, Inglês e Mecânica de Motos. É apreciador de motos de alta cilindrada, viagens, música, cerveja e é colecionador de cachaças!

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